quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Poema para ti...


Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite,
para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites
que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que à noite
de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
corpos cansados não adormeceram
e da estrada mais linda da noite uma festa
de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite
nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despido
de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
para quem se quer tanto!

Estrela da Tarde
Ary dos Santos